Mestre Alfredo era a cantar
A matriz da oração
Que à alma ia buscar
Pró corpo consolação...


Na zonza telefonia
Minha avó e a vizinha
Choravam de nostalgia
Quando ouviam o Farinha...




Dava, Fernanda Maria,
Ao Pintadinho tal jeito
Que a rima até parecia
Um rouxinol perfeito...


Toni de Matos, total,
Prós amantes sem esperança,
Foi a voz de um vendaval
A transformar-se em bonança...




Maurício, à dor do verso,
Como o sol que se levanta,
Abria-lhe o universo
Ao soltá-la da garganta...


Amália, em todos nós,
Fazia a alma acender
Com a saudade na voz
A queimar-nos de prazer...




Carlos do Carmo, marfim
Do velho anuncia ao povo,
Que o fado chegando ao fim
Começa sempre de novo...


Argentina, prata pura,
Santos, altar que se abre,
Sobe o fado a grande altura,
Até parece milagre...




Quem o ouvisse cantar
O Bailinho da Madeira
Não podia imaginar
O Max sem brincadeira...


Qual marialva outrora
Pelo "Fado Português",
O Nuno parece agora,
O Vimioso outra vez...




Lucília, brisa suave
Do castiço genuíno
Que embalava a saudade
Com o Carmo do destino...


Beatriz da Conceição,
Fado a fado se ilumina
E ouvi-la ao vivo, então,
A emoção é divina...




Dulce Pontes, alvorada
Da lusitana paixão
Cada vez mais semeada
Nas searas da ilusão...


De menino na levada,
Camané, fado de mais
Entre os amigos sem fada
Que ao vento cantam seus ais...




Do Nuno, que hei-de dizer,
Grato pelo que lhe devo?
Da meada em fado-ser
Foi a ponta do que escrevo...


Feliz destino, é o voto,
Amor e ódio, à roda,
Na vida, segundo noto,
Se não for fado, é "moda" !...




Tinha tanta, tanta ,
Esta Maria tripeira
Que ao Tejo logrou maré
Pró rebelo da Ribeira...


Rodrigo, da voz do mar,
Trouxe o benquisto lamento
Para em fado consolar
As fainas do sentimento...